Música para a alma
Enquanto escrevo sobre a aula de 19/08 ouço música, especificamente Celine Dion. Não, não sou assim tão clássica, gosto de tudo um pouco ( menos techno, argh!) e ADORO pagode, em especial(que surpresa não?), mas devo admitir que essa música em particular desperta alguns sentimentos nessa jornalista que vos fala. Para os curiosos, o nome é " Its All Coming Back To Me Now".
Sempre gostei de música, muitas letras explicam facilmente alguns momentos de minha vida, outras trazem inspiração, algumas são simplesmente para dançar, mas meu dia começa e muitas vezes termina com elas. Difícil imaginar um mundo mudo, sem canções, sem ritmo. Mais difícil ainda é vislumbrar que isso acontece muitas vezes, com muitas pessoas, em muitos lugares. Hoje conhecemos Hipócrates, o pai da medicina. Fomos apresentados a ele e à sua forma inicial de curar corpo e alma.
Conhecemos hoje aquele que é considerado há séculos o precursor da arte da cura. Para minha surpresa ele também usava música para curar. Conhecemos hoje um homem que há centenas de anos atrás dizia que corpo e espírito estão ligados, que poesia e música podem salvar vidas, que a parte não existe sem o todo. Hoje, dia em que vivemos, séculos depois, em um país onde as filas para exames são tão extensas e desumanas que pessoas morrem antes dos diagnósticos, que enfrentamos a vergonha de vermos nossas crianças padecerem de fome, de desidratação, de negligência. Coitado de Hipócrates hoje!! Certamente seria tratado como mais um louco e abandonado em nossas tão bem cuidadas " clínicas para deficientes mentais e psiquiátricos".
Mas hoje posso contar uma história que agradaria a Hipócrates e agrada em especial ao meu coração.
Moro em um prédio onde temos guarita e vigias, quatro que se revesam trabalhando 12 horas, dia sim, dia não. Um dos rapazes, seu nome é Jeová, tem quatro filhos é casado e, fiquei sabendo após algumas conversas, sua esposa sofre de um problema nos rins. Os médicos ( do SUS, claro), dizem que por conta de uma infecção urinária mal curada uma bactéria que eles não sabem qual é se alojou em um dos rins. Periodicamente a esposa do meu amigo vigia fica muito mal, não consegue andar, não pode ir ao banheiro sozinha, nem cuidar dos filhos, um deles inclusive com poucos meses de idade.
Nas várias vezes em que foi procurar auxílio nos hospitais passou por descaso, perda de exames, perdeu a fé e a vontade de procurar uma cura para seu problema. Há um mês teve uma grave crise, eu soube porque Jeová não veio trabalhar por três dias.
Uma noite voltando do trabalho parei para conversar mais uma vez, ele me contou sua peregrinação pelos hospitais, a dor da esposa, a preocupação com os filhos e o descaso do que deveria ser, de acordo com as palavras de nosso presidente, " Um sistema de saúde que beira à perfeição". Mal consegui segurar a vontade de chorar, confesso que muito em parte por indignação. Comecei a pensar e resolvi contar para algumas pessoas, talvez alguém conhecesse alguém que pudesse ajudar. O tio do meu marido resolveu conversar com um médico conhecido dele, providencialmente nefrologista (especialista em rins). O resultado : Jurema, esse é o nome dela, foi atendida, talvez um de seus rins tenha que ser removido, mas, graças a um discípulo de Hipócrates, talvez um dos poucos que siga o juramento feito após a diplomação ela, em breve, terá uma vida normal e ficará livre de uma vida presa à uma máquina de diálise.
Fico feliz por ela, mais feliz ainda pelo meu amigo vigia que hoje trabalha com um sorriso no rosto, mas penso: E os outros?
Enquanto escrevo sobre a aula de 19/08 ouço música, especificamente Celine Dion. Não, não sou assim tão clássica, gosto de tudo um pouco ( menos techno, argh!) e ADORO pagode, em especial(que surpresa não?), mas devo admitir que essa música em particular desperta alguns sentimentos nessa jornalista que vos fala. Para os curiosos, o nome é " Its All Coming Back To Me Now".
Sempre gostei de música, muitas letras explicam facilmente alguns momentos de minha vida, outras trazem inspiração, algumas são simplesmente para dançar, mas meu dia começa e muitas vezes termina com elas. Difícil imaginar um mundo mudo, sem canções, sem ritmo. Mais difícil ainda é vislumbrar que isso acontece muitas vezes, com muitas pessoas, em muitos lugares. Hoje conhecemos Hipócrates, o pai da medicina. Fomos apresentados a ele e à sua forma inicial de curar corpo e alma.
Conhecemos hoje aquele que é considerado há séculos o precursor da arte da cura. Para minha surpresa ele também usava música para curar. Conhecemos hoje um homem que há centenas de anos atrás dizia que corpo e espírito estão ligados, que poesia e música podem salvar vidas, que a parte não existe sem o todo. Hoje, dia em que vivemos, séculos depois, em um país onde as filas para exames são tão extensas e desumanas que pessoas morrem antes dos diagnósticos, que enfrentamos a vergonha de vermos nossas crianças padecerem de fome, de desidratação, de negligência. Coitado de Hipócrates hoje!! Certamente seria tratado como mais um louco e abandonado em nossas tão bem cuidadas " clínicas para deficientes mentais e psiquiátricos".
Mas hoje posso contar uma história que agradaria a Hipócrates e agrada em especial ao meu coração.
Moro em um prédio onde temos guarita e vigias, quatro que se revesam trabalhando 12 horas, dia sim, dia não. Um dos rapazes, seu nome é Jeová, tem quatro filhos é casado e, fiquei sabendo após algumas conversas, sua esposa sofre de um problema nos rins. Os médicos ( do SUS, claro), dizem que por conta de uma infecção urinária mal curada uma bactéria que eles não sabem qual é se alojou em um dos rins. Periodicamente a esposa do meu amigo vigia fica muito mal, não consegue andar, não pode ir ao banheiro sozinha, nem cuidar dos filhos, um deles inclusive com poucos meses de idade.
Nas várias vezes em que foi procurar auxílio nos hospitais passou por descaso, perda de exames, perdeu a fé e a vontade de procurar uma cura para seu problema. Há um mês teve uma grave crise, eu soube porque Jeová não veio trabalhar por três dias.
Uma noite voltando do trabalho parei para conversar mais uma vez, ele me contou sua peregrinação pelos hospitais, a dor da esposa, a preocupação com os filhos e o descaso do que deveria ser, de acordo com as palavras de nosso presidente, " Um sistema de saúde que beira à perfeição". Mal consegui segurar a vontade de chorar, confesso que muito em parte por indignação. Comecei a pensar e resolvi contar para algumas pessoas, talvez alguém conhecesse alguém que pudesse ajudar. O tio do meu marido resolveu conversar com um médico conhecido dele, providencialmente nefrologista (especialista em rins). O resultado : Jurema, esse é o nome dela, foi atendida, talvez um de seus rins tenha que ser removido, mas, graças a um discípulo de Hipócrates, talvez um dos poucos que siga o juramento feito após a diplomação ela, em breve, terá uma vida normal e ficará livre de uma vida presa à uma máquina de diálise.
Fico feliz por ela, mais feliz ainda pelo meu amigo vigia que hoje trabalha com um sorriso no rosto, mas penso: E os outros?

1 Comments:
Só esse nosso presidente descarado para achar que a saúde pública é uma maravilha!
E olha que aqui no estado de SP ainda somos privilegiados.
O sobrinho de uma amigo, veio de Pernambuco e disse que aqui em SP o atendimento nos hospitais é de primeira.
Imagine como são as coisas por lá?
Recentemente minha avó ficou internada pelo SUS em um hospital público. Até exame errado fizeram nela.
É inadimissível fechar os olhos para uma coisa dessas.
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